Jolly Club

Milão, 11 de fevereiro de 1957. Um início de noite frio e com uma névoa densa. As ruas estão praticamente desertas e os cafés estão fechados. A neblina e o silêncio paira no lugar, exceto no café Gianino, onde o dono recebeu uma reserva feita por um certo Mario Angiolini de uma mesa mais destacada para resolver assuntos delicados. Às 20 horas, os outros convidados ocupam seus lugares na mesa. Uma ceia entre amigos, uma garrafa de vinho, conversas, apertos de mão e um contrato assinado. Pronto, uma equipe de corrida havia sido criada!

 

A equipe era composta por 18 amigos, que faziam o que faziam por paixão, lealdade, amizade e diversão. Tudo isso feito com muito profissionalismo. O nome veio do coringa do baralho, uma carta versátil. A ideia era de Mario Angiolini, um cara vivaz e enérgico…que achava que o ambiente era muito lento e altamente burocrático. Contava com a ajuda de sua esposa Angelica. Ela também curtia corridas, e declarou: ” O maior obstáculo dos pilotos é deixar suas esposas em casa enquanto estão em um esporte totalmente masculino. Se a mulher fosse co-piloto de seu marido ou rival competindo em uma prova de rali, o problema estava resolvido.” Essa sabia das coisas!

Inicialmente a equipe era filiada à Alfa Romeo nos ralis. Entre 1957 e 1963 a Jolly Club auxiliou no desenvolvimento dos Guilia GTA, GTV, GTAm, etc. De 1963 pra frente a equipe passou a ser vinculada à Lancia onde conquistou bons resultados com os míticos carros de Turim. Nessa época, a Jolly CLub era praticamente um clube de pilotos, as vitórias com as Alfa Romeo abriram as portas de Angiolini para vários patrocinadores e vários fabricantes ficaram interessados em seus serviços…e contava com 300 pilotos afiliados! Em 1966, Mario Angiolini falece. A lojinha fica sob os cuidados de Renata e de seu filho Roberto, que também era piloto.

Com o tempo, o sucesso cresceu de forma exponencial, a equipe contava 100.000 participações em competições e 10.000 vitórias em provas de Fórmula, Ralis, Motociclismo, Náuticas, Endurance, Turismo, etc. Na década de 80, a equipe fechou uma parceria com a Totip, jogo de apostas equestres italiano. Propositalmente, o layout era o mesmo usado pela equipe works Lancia, só mudando as cores originais, branco predominante com faixas vermelha, azul e preta, pra faixas laranja e verde, mantendo o branco predominante.

Na década seguinte, ocorreram mudanças, sai a Totip e entra a petrolífera Fina. A Jolly após a retirada da Lancia no WRC continuou mantendo seus carros na competição representando a Itália na categoria. Mas o Delta já não era páreo para a concorrência e sem apoio de fábrica voltaram suas atenções para os campeonatos locais, onde firmaram uma parceria com a VAEMENIA, e em 1994 até o final cuidava dos carros Ford no campeonato italiano de ralis

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