Dacon

Criada por Paulo Goulart no início da Década de 1960, a Dacon Competições era o braço automobilístico da Dacon, revenda Volkswagen. Embora das marcas brasileiras na época, a Volkswagen não estivesse envolvida no cenário automobilístico da época, seus carros eram bastante usados por amadores. A simplicidade do motor a ar e a semelhança das furações e peças com os Porsches, levaram a Dacon a fazer um dos carros mais lendários do automobilismo nacional: o Karmann-Ghia/Porsche.

 

Antes disso, a equipe de Paulo Goulart utilizava os VW Sedans e Karmann-Ghia com motores aumentados, peças fundidas em alumínio, partes moldadas em fibra de vidro, janelas de acrílico, etc. Foi também uma espécie de celeiro de grandes pilotos, Chico Landi (na RAMPSON, antes de adotarem o nome Dacon), os irmãos Fittipaldi (Emerson e Wilson Jr.) José Carlos Pace, tiveram passagem na Dacon.

Em 1964 a coisa começa a ficar séria, a Rampson (fundição de peças em alumínio que fabricava peças dos Dacon) importou unidades motrizes Porsche 95-SC 1600cc (do 356). “A ideia era preparar um carro esporte conjugando carrocerias Karmann-Ghia com mecânica Porsche, cuja adaptação já tínhamos estudado. Os pontos de encaixe casam perfeitamente: motor, freios, colunas de direção com volante, painel com conta-giros, velocímetro, manometros de temperatura e pressão, medidor de combustível, calotas e emblemas. O motor cabe direitinho no Karmann-Ghia. Por fora só se nota o cano de escapamento maior que o do Volks. Mas a única modificação adotada foi o reforço da suspensão.” – ” E não houve problemas?” – “Não, afinal quem faz as carrocerias pra Porsche na Alemanha é a mesma Karmann-Ghia.”, explicou na época Paulo Goulart.

Os carros eram velozes, esses Karmann-Ghia alcançavam 190 km/h (um Karmann-Ghia mesmo com o kit OKRASA não passava de 150). Graças à Chico Landi, o KG/P (como era conhecido) foi inscrito nas 1000 Milhas da Guanabara, onde levou a vitória geral e além do troféu trouxe problemas pra equipe. Os adversários questionavam a regularidade do carro, que seria considerado um protótipo. O ACB (Automóvel Club do Brasil, quem tomava conta do automobilismo da época) vetou o uso do carro por questões de regulamento.

Paulo aceitou o desafio, e investiu uma soma considerável na estrutura de sua equipe, criando o Edifício Dacon, e a equipe Dacon Competições. Decidiu correr com Volkswagens. E com base na carcaça do VW Sedan 1200, criou o tipo 1600. E agora com o carro legalizado, retornaram às pistas. E, os VW Sedans com mecânica Dacon saltaram de 1200cc e 36HP pra 1600cc e 110HP!!!!!!!!! José Carlos Pace terminou em terceiro nas 250 Milhas de Interlagos. Eis, que após a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) passar a organizar as competições, e a Willys-Overland importar motores 1300cc Alpine pra seus Interlagos, e serem considerados legais pela CBA, a sorte sorriu pra Dacon, e devido a imprensa sempre chamarem os Karmann-Ghia Dacon de Karmann-Ghia/Porsche, Paulo Goulart importou alguns motores Porsche 6 cilindros 2000cc de injeção direta e 250HP. O carro era um German Look de corrida, por fora era um Karmann-Ghia azul e rodas um pouco maiores, por dentro contava com mostradores VDO utilizados nos Porsche, e carroceria em fibra de vidro.

Mas o que era promissor acabou de forma rápida. Em 1967, Paulo Goulart foi conversar com a direção da Volkswagen sobre uma parceria com a marca, afinal as vitórias da Dacon beneficiaria a Volkswagen, mas para a marca, a Dacon era um mero revendedor autorizado, como seus quase 500 na época, e não seria justo beneficiar um com um aumento de verba,e fizeram uma contra-proposta, da Dacon formar uma equipe de Fórmula Vê (ou Vee, pros gringos =P) e aí teriam ajuda da fábrica. Paulo retrucou que queria manter seus Karmann-Ghia/Porsche correndo na categoria protótipos, mas não chegaram a um acordo. Paulo então deu carta branca para seus pilotos seguirem seus rumos, e vendeu os carros da equipe. A Dacon seguiu como representante oficial da Porsche no Brasil, além de importar oficialmente BMW, British Leyland, Citroën e Maserati.

Sobre os pilotos, a maioria ficou por aqui, mas três acabaram seguindo pra Europa, Wilson Fittipaldi Jr., José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi. Esses dois se reencontraram no pódio do Grande Prêmio do Brasil de 1975…8 anos depois de dividirem o pódio da última vitória e despedida da Dacon das pistas.

 

Fonte: Óbvio

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