200 Millas de El Piñar – 1964

2 de Fevereiro de 1964. Nessa data, uma equipe brasileira vencia uma prova no exterior pela primeira vez e coube à Equipe Willys essa honra. No mês anterior, Luis Antônio Greco e Chico Landi haviam ido para o Uruguai e ficaram sabendo da prova e resolveram inscrever dois Interlagos na prova. A pista de El Piñar era curta e estreita, favorecendo os carros de baixa cilindrada. Isso fez com que as berlinetas amarelas disputassem contra NSU TT, FIAT-Abarth 850, BMC Mini-Cooper, e Alfa Romeo Guilia. Embora os Alfa já fossem adversários conhecidos (eram utilizados também no Brasil pela equipe Jolly-Gancia, o restante eram modelos utilizados com sucesso nas pistas européias na mesma época.

 

A preparação para a prova foi oldschool, com os carros rodando até Punta del Leste para amaciar os motores novos e Greco cedendo uma das berlinetas para Chico Landi classificar como agradecimento pela consultoria prestada à equipe. O velho Landi virou 1:37.4, e Bird cravou a pole com 1:36.9!!! Tudo isso sem forçar o equipamento e sem agressividade. O que gerou protesto dos concorrentes argentinos e uruguaios, e a reclassificação dos carros brasileiros.

A corrida começou bem pra equipe brasileira, Bird Clemente com o numeral 22 e Luiz Pereira Bueno com o 21 formavam a primeira fila. Bird seguiu na liderança durante a largada em estilo Le Mans, e Luisinho perdeu posições na largada, ficando na quinta posição, mas recuperou no final da segunda volta. Mas não teve sorte, problemas na alimentação o fizera cair várias posições. Nisso, Bird dava show, virando 1’34” estabeleceu um novo recorde para a pista, dois segundos abaixo do tempo de classificação. E abria distância entre os concorrentes. Mas no outro carro, embora Luisinho estivesse recuperando as posições perdidas, quando estava na sétima posição, voltou a sofrer com problemas no carro, e devido a uma parada demorada, ficou fora de combate. A berlinetta 22 e seu piloto estavam em perfeita sintonia, Bird chegou a botar uma volta no Mini-Cooper que ocupava a segunda posição, e logo depois de uma parada nos boxes, e a perda momentânea da liderança, que foi retomada na parada do Mini-Cooper. Daí pro final Bird aliviou a tocada e seguiu liderando até o final da prova. Após o fim, Bird foi parabenizado por todos, inclusive o embaixador brasileiro no Uruguai. O feito deu ânimo para a Willys participar do campeonato argentino de F3 com o Gávea em 1966 e cogitou-se a participação da equipe na F3 européia e nas 12H de Sebring

Dos três carros embarcados, as duas berlinetas oficiais amarelas (21 e 22) e uma berlineta prateada, há rumores recentes de que um dos carros ficou retido no Uruguai (supõe-se que seja justamente o carro vencedor) e encontra-se à venda no eBay parcialmente restaurado mas em más condições ainda.

 

vídeo da prova

 

Resultado Oficial

1. Bird Clemente – Willys Interlagos

2. M. Mendez/A. Balzano – FIAT 1500

3. Diego Fernandez – Alfa Romeo Guilieta TI

4. R. Mainenti/R. Larghero – FIAT 1500

5. R. Barcacel/Fritz – FIAT 1500

6. E. Avelino/ L. A. Maroni – FIAT 1500

7. Cesar Martinez – NSU Prinz

8. J. A. Perez/ A. Vidriales – NSU Prinz

9. P. Fanelli/V. Fanelli – NSU Prinz

10. Davi Sica – Panhard X-87

11. L. A. Romanzo – VW Sedan

12. A. Dauber/C. Astigarraga – Panhard PL-7

13. D. Porro/A. Porro – NSU Prinz

14. Celebre/Carlomagno – VW Sedan

15. Victor Paullier – BMC Mini-Cooper

16. H. Mera/O. Rodrigues – Alfa Romeo Giulieta TI

 

Fontes: Bandeira Quadriculada, Jornal da Tarde, Acervo Digital Quatro Rodas – Edição 44 Março de 1964, eBay

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