Equipe Willys de Competição

No começo da década de 1960, as montadoras viram no então efervescente cenário automobilístico brasileiro, um bom lugar para demonstrar as virtudes de seus produtos. E a Willys-Overland do Brasil foi uma das principais montadoras a apoiar o automobilismo nacional à época.

 

A Willys nessa época, montava Renault Dauphine sob licença e ao ver que suas concorrentes diretas gozavam de grandes feitos em competições, tanto como equipes de fábrica ou apenas por seus carros dominarem algum campeonato local, a diretoria da Willys decidiu criar uma equipe de corrida. E para chefiá-lo, convidaram o astro da época, Christian “Bino” Heins. O piloto avaliando o que tinham disponível, viu que os Dauphine não seriam páreo para os DKW-VEMAG de fábrica, e ele foia à França e intermediou um contrato para montar os Alpine A108 no Brasil, batizados como Willys Interlagos. Com isso, Christian Heins pilotou para a Alpine nas 24H de Le Mans de 1963 com um A210 M63, mas infelizmente morre num acidente. Luiz Antônio “Trovão” Grecco o substitui no comando da equipe.

E formaram uma equipe lendária. Os Willys amarelos com uma faixa verde começavam a colecionar vitórias nas mãos de Luiz Pereira Bueno, os irmão Fittipaldi (Emerson e Wilson Jr.), Bird Clemente, Luiz Antônio Grecco (no início), José Carlos Pace, Luiz Fernando Terra-Smith, Liam Duarte e Chico Lameirão no cenário nacional e alguma visibilidade no internacional durante o breve período de 1962 e 1969. Além dos Gordini e Interlagos, a Equipe Willys trouxe da França alguns Alpine A110 e Renault R8 Gordini, além da criação dos protótipos Bino e do F3 Gávea no final desse período. Havia uma hierarquia de carros: os pilotos iniciantes, corriam com os Gordini (depois os 1093) com numerais 40, 41, 42; os pilotos mais avançados corriam com os Interlagos (também chamados de Berlineta) com numerais 12, 21,22 ( o 21 alternava com o R8); e com os pilotos mais experientes com os Alpines (A110) numerais 46 e 47. O Bino herdou a numeração dos Alpine e o Gávea receberia o numeral 52.


Entre 1962 e 1964, os Gordini e R8 eram usados para dar experiência aos pilotos e os Interlagos eram as estrelas do show, dando trabalho para carros com o dobro da cilindrada e fazendo da Willys a equipe a ser batida, e a concorrência começava a criar/importar carros para derrotar os amarelinhos nas pistas. a VEMAG criou o GT Malzoni e a Simca importou três SIMCA-Abarth 2.000, além dos Karmann-Ghia/Porsche da Dacon. Willys reagiu trazendo Alpines A110 e a briga entre 1964 e 1965 foi bastante acirrada.




A partir de 1965, criaram o Gávea para campeonatos de F3, embora não houvesse corridas de F3 no país, fizeram uma temporada no campeonato argentino em 1966, mas as expectativas eram maiores que os resultados, e o projeto foi engavetado.




Em 1968 surgiu o Willys 1.300, logo rebatizado de Bino. Era um protótipo inicialmente inspirado no Lotus 47, mas era curto demais e instável, dizia-se que rodava até em retas. Foi remodelado, dessa vez seguindo o estilo da Ferrari P4 e com entre-eixos alongado em quase 20 centímetros, o carro recebeu o nome de Bino (homenagem a Christian Heins) MkII. Na mesma época, a Willys-Overland foi adquirida pela Ford, e ao contrário das outras equipes works, a Equipe willys ganhou uma sobrevida, até ser adquirida pelo chefe de equipe Luiz Antônio Grecco em 1970.





fontes: óbvio, Blog do Sanco, Saloma, F3 History, Mestre Joca

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