Equipe VEMAG

A VEMAG (VEículos e Máquinas AGrícolas) foi uma das pioneiras na produção de automóveis no Brasil, com o DKW F91 feito sob licença da DKW alemã a partir 1956. E nessa época, o carro de motor 2 tempos de 1.0 litro demonstrara sua valentia, em 1957, Karl Iwers terminara com um DKW em 12º na segunda edição das Mil Milhas de Interlagos, entre as carreteiras com motores de capacidade de até 5 vezes maiores que a do pequeno carro alemão. A diretoria da marca viu aí um bom modo de promoverem o carro, e dentro do Departamento de Testes de Veículos surgiu a Equipe VEMAG em 1960.

 

No início eram utilizados os DKW Belcar (versão brasileira do F94) com motores 1.0 escolhidos da linha de montagem e preparados na fábrica, de onde saíam para as competições. Um engenheiro e dois mecânicos do Departamento de Testes passaram a ser responsáveis pelo sucesso nas pistas: Otto Kuetner, engenheiro alemão da DKW; Jorge Lettry, italiano radicado no Brasil; e Miguel Crispim, os dois últimos, mecânicos de motores.


Os sedãs brancos eram vitoriosos em subidas de montanha, circuitos de rua e pistas curtas, onde ganhavam de carros maiores e com motores mais fortes, justamente por serem menores, mais leves e terem tração dianteira. Em autódromos, a coisa mudava um pouco, geralmente eram competitivos em sua classe (motores até um litro). Contavam com a simpatia popular, e mesmo com orçamento inferior comparando com das fábricas rivais, a VEMAG lutava de igual para igual. Assim como a Willys, a Vemag fez uma excursão até o Uruguai para as 3 horas de Riviera de 1963, onde Marinho com seu DKW levou a melhor sobre o uruguaio  “Flor del Campo” (pseudônimo de Jorge Mutío, para esconder suas atividades automobilísticas da família) em seu Panhard Dyna 850. Depois da corrida, Lettry volta ao Brasil impressionado com o desempenho do Panhard, e resolve montar um carro o mais leve possível, surgia o Mickey Mouse: um DKW com entre-eixos encurtado em 30cm, peso aliviado e Motor 1.000cc com aproximadamente 95HP. Parece pouco, mas lembrando que o carro era

extremamente ágil em pistas travadas e chegou a duelar com Porsche Carrera em provas de rua.


A recém-criada Fórmula Jr. era uma boa oportunidade para a equipe VEMAG no Brasil, a categoria vinha sendo um sucesso na Europa (principalmente Alemanha e países da Cortina de Ferro) onde os fabricantes de chassis adotavam motores DKW para correrem. Mas por aqui, os carros eram obliterados pelos Mecânica Continental e com a introdução dos Landi-Bianco com motores FNM (de origem Alfa Romeo) e SIMCA, os DKW passaram a fazer parte do pelotão intermediário…mas o Fórmula Jr DKW deu origem ao carro de recorde de velocidade Carcará.



Em 1964, é criado o DKW GT Malzoni, um coupé 2+2 com carroceria de fibra de vidro e mecânica DKW. O carro deu uma revigorada na equipe, lutando contra os Interlagos, Alfas, Karmann-Ghias/Porsche. Mas devido a problemas financeiros na VEMAG, os DKWs já não eram tão rentáveis e após fracassadas tentativas de obter licença de produção de carros Citroën, Peugeot e FIAT. A Equipe VEMAG fecha as portas em 1966, a marca era extinta após a VW comprar a DKW. Nesse mesmo ano, o que sobrou da equipe VEMAG fecha seu ciclo de forma quase perfeita. Nas Mil Milhas de Interlagos de 1966, Emerson Fittipaldi e Jan Balder quase ganham a vitória geral, perdendo para Camílo Cristófaro nas últimas voltas, após problemas no motor. Uma pena o lendário motor V6 2 tempos da DKW alemã não ter passado de protótipo…os Malzoni seriam imbatíveis.







Fontes: Brazilian Yellow Pages, Óbvio

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