Departamento de Competições SIMCA do Brasil

O início da década de 1960 marcou o início do automobilismo brasileiro de fato. Além de corridas organizadas pelo Automóvel Clube ou pela Centauro Motor Clube, que já existiam, começou o interesse das marcas em utilizar as corridas como vitrines de seus produtos. Mas com a SIMCA do Brasil, a coisa foi um pouco diferente.

Os Chambord possuíam um motor V8 defasado, baseado no velho Ford Flathead, sua potência girava em torno de 80 HP, mas Chico Landi e Ciro Cayres conseguiam extrair praticamente o dobro de potência dos Aquillon. Inspirados pelo sucesso do concorrente, o FNM 2000, a SIMCA resolveu criar uma equipe de fábrica. Começara então em 1961, o Departamento de Competições SIMCA do Brasil. A disputa com a estatal FNM foi curta, mas enfrentariam concorrência forte dos carros de menor porte, mais leves e rápidos.



Isso, é claro levou ao desenvolvimento do carro, e melhorias (na maior parte das vezes correções de algumas falhas no projeto). Mas a concorrência nunca dorme… A Willys tinha o Interlagos (Alpine A108), a VEMAG tinha o GT Malzoni (esportivo feito com base no DKW Belcar), de início a SIMCA fez o Tempestade, mas não deu certo e o carro tinha problemas sérios de estabilidade (rendendo o apelido interno de perereca, de tanto que pulava).



A solução foi partir pra ignorância, em 1963, Dr. Pasteur, chefe da SIMCA do Brasil importou três SIMCA-Abarth 2000, que junto com os novos Alpine A110 trazidos pela Willys, deram uma sacudida nas coisas. Infelizmente por problemas burocráticos, os carros só correram por um ano, já que eram considerados protótipos e as importações estavam proibidas no país. Em 1965, mesmo com os advogados da fábrica tentando regularizar a permanência dos carros, eles foram enviados de volta para a Itália, mas como não podiam voltar, acabaram em um galpão aguardando a decisão sobre o que seria feito deles. A princípio correu um boato de que foram jogados no Mediterrâneo, mas anos depois descobriram que os três carros foram restaurados e estão rodando em corridas de clássicos.



No ano seguinte, em 1966, com a compra da SIMCA pela Chrysler, a mudança refletiu aqui de forma rápida e direta. O departamento de competições foi fechado, e com a mudança de donos a marca SIMCA praticamente deixou de existir.

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