Maratona Londres-Sydney 1968

Em 1967, a Inglaterra passava por uma crise financeira, e Sir Max Aitken, dono do Daily Express, junto com dois de seus executivos, Jocelyn Stevens e Tommy Sopwith resolveram criar um evento que o jornal pudesse patrocinar e que serviria para levantar o moral da nação, além de servir de vitrine para a engenharia britânica e que pudesse aumentar as exportações nos países por onde passasse. O nosso Barão de Coubertin petrolhead então criou um rally maratona!


Além da oferta inicial de £10.000 para o vencedor, Sir Frank Packer, dono do Daily Telegraph, ofertou £2.000 para o segundo e terceiro colocados, além da mesma quantia pro aussie melhor colocado!


Tinham a ideia, tinham patrocínio, tinham verba… então o projeto foi iniciado! Foi criado um comitê de 8 pessoas para elaborar a rota, o ex-piloto Jack Sears elaborou um trajeto de 7.000 milhas que seria desafiador, mas não impossível. Passando por 11 países e com translado de navio que levaria 9 dias da Índia até down under. Os primeiros 72 colocados iriam a bordo do transatlântico SS Chusan depois da chegada em Bombai, o resto seguiria no dia seguinte. Nesse tempo, qualquer reparo nos carros levaria a exclusão da prova. O trajeto da prova era:
Londres – Paris: Saindo do Crystal Palace até Dover, onde iriam atravessar o Canal da Mancha e seguir pro Aeroporto Le Bourget em Paris.
Paris – Turim: Saindo de Paris e seguindo para Turim via Túnel Mont Blanc
Turim – Belgrado: Seguindo pelas Autostradas italianas até Veneza e de lá cruzando pra Iugoslávia até Belgrado
Belgrado – Istambul: Cruzando a Bulgária à noite
Istambul – Sivas: Cruzando o Bósforo de barca, seguindo para Ancara até Sivas
Sivas – Erzincan: Seguindo por estradas não pavimentadas
Erzincan – Teerã: Cruzando a Fronteira do Irã
Teerã – Cabul: seguindo por duas rotas alternativas, ou pelo norte beirando o Mar Cáspio seguindo pelas Montanhas Alburz ou pelo sul contornando o Grande Deserto de Sal até chegar a Cabul onde esperam a passagem de Khyber ser aberta
Cabul – Sarobi: seguindo por estradas ruins através da Passagem de Lataband
Sarobi – Delhi: Cruzando a Índia em um dia até chegar em Dehli
Delhi – Bombai: Seguem passando por Agra e Indore até Bombai
Bombai – Perth: Travessia de navio até a Austrália
Perth – Youanmi: Saindo de Gloucester Park seguem por estradas não pavimentadas até a cidade mineradora fantasma de Youanmi
Youanmi – Marvel Loch: Atravessando áreas desérticas por Diemal e por estradas a partir de Bullfinch até Marvel Loch
Marvel Loch – Lake King: Seguem atravessando o deserto de Nullarbor até Lake King
Lake King – Ceduna: Margeando a Grande Baía Australiana
Ceduna – Quorn: Seguem atravessando South Australia
Quorn – Moralana Creek: Subindo um pouco e contornando o Lago Torrens
Moralana Creek – Brachina: Retornando em direção ao Parque Nacional de Flinders Ranges
Brachina – Mingary: descendo pelas estradas em direção à New South Wales
Mingary – Menindee: Seguindo por New South Wales e contornando o Lago Menindee
Menindee – Gunbar: Continuando a travessia de New South Wales
Gunbar – Edi: Descendo em direção à Victoria
Edi – Brookside: Seguindo em direção a Port Phillip Bay
Brookside – Omeo: Seguindo pela parte sul da Austrália
Omeo – Murrindal: Seguindo em direção ao sudeste
Murrindal – Ingebrya: Atravessando de volta pra New South Wales
Ingebrya – Numeralla: Subindo em direção a Reserva Nacional Tidbinbilla
Numeralla – Hindmarsh Station: subindo atravessando o Território da Capital Australiana
Hindmarsh Station – Nowra: retornando ao litoral
Nowra – Warwick Farm: seguem pelo litoral beirando o Mar da Tasmânia
Warwick Farm – Sydney: Chegada em procissão










A prova teve a participação de grandes nomes do rali, como Roger Clark, Lucien Bianchi, Simo Lampinen, Andrew Cowan, Paddy Hopkirk, Tony Fall, etc. Roger Clark liderava com tranquilidade até a Turquia, onde começou a perder vantagem até a Índia. Ao iniciar a parte australiana, a sorte muda. Uma falha no pistão o joga para terceiro e segue graças ao pistão do carro de Eric Jackson. Depois, com uma falha no diferencial traseiro, conseguiu convencer um dono de Cortina a lhe vender o eixo traseiro para poder prosseguir! o.O
Nisso, Bianchi assume a liderança até chegarem em Norwa, onde ao se aproximarem do checkpoint se envolvem num acidente grave e são hospitalizados. Paddy Hopkirk por ter parado para ajudar a socorrer, também perde a liderança para Andrew Cowan que vence a prova com Paddy Hopkirk em segundo e o australiano Ian Vaughan em terceiro. Dos 98 que largaram, 56 terminaram a prova. Muitos abandonaram por acidentes e quebras pelo percurso.








A aventura foi um sucesso total dando origem a outras provas, como a London-Mexico visando promover a Copa do Mundo daquele ano, tendo a chegada na Cidade do México; a London-Sahara-Munich, promovendo a Copa do Mundo da Alemanha em 1974, e outras edições da prova original em 1977, 1993, 2000 e 2004.

fontes:
Hooniverse
Unique Cars and Parts
Historic Rally & Classic Race Cars

Deixe uma resposta