Cross Country

Os carros de Cross-Country são geralmente mais parrudos e durões que os equivalentes de rali…precisam ser resistentes o suficiente para correr em etapas de algumas centenas de quilômetros, duráveis o suficiente para fazê-lo necessitando do mínimo de manutenção e rápidos, afinal é uma competição! Temos 15 clássicos dos desertos

Renault R20 Turbo 4×4

Após impressionarem chegando em segundo na primeira edição do Rally Oásis (futuro Dakar), com um pequeno Renault R4, os irmãos Bernard e Claude Marreau voltaram três anos depois com um protótipo baseado no modelo R20, com motor 1.6 turbo de 132HP e tração nas quatro rodas e levaram a vitória, duelando contra os favoritos da Prova, os Lada Poch, Range Rover, Mercedes entre outros jipes. A dupla contava com apoio da marca, tanto que o 20 turbo 4×4 usava as cores da Renault Compétition na época, além de ter sido desenvolvido exclusivamente para a dupla.

Citroën 2CV “bi-bip”O Citroën 2CV Sahara conhecido como bi-bip, participou das edições de 2005 e 2007 da prova, nas mãos de Ribas Cyril e Marques Georges, não foi o mais competitivo, mas sempre era mencionado nas transmissões enquanto estava na prova. Mecanicamente era um Sahara preparado para Cross-Country, com equipamentos de navegação e segurança, além dos acessórios básicos para esse tipo de prova, como tanques de combustível maiores, faróis pra tempestade de areia, etc.

Protótipo Fischer

Assim como o simpático Bi-bip, o Fischer é um dos protótipos mais queridos do Rally dos Sertões. O simpático modelo, foi idealizado por Valério Valente, piloto do carro e chefe de equipe da Equipe Fischer de Rally. A carroceria foi feita com base na do Ford 34 em fibra, mas mecanicamente é uma Toyota Hilux preparada pra competição Cross-Country. Inicialmente a idéia era usar uma carroceria da Ford F-100, mas escolheram o Ford 34 por ter a mesma distância entre-eixos da Hilux. O resultado não foi nada mal…um calhambeque Turbodiesel de 153HP e tração 4×4.

 

fonte: Revista 4×4 e cia número 77 (Dez/99) e Fischer Freios

 

Mitsubishi PX33

No final da década de 80 até o início da de 90 a Mitsubishi correu com um protótipo baseado em um protótipo do final dos anos 30, que era um sedan com tração nas quatro rodas e motor Diesel com injeção. Mas foi arquivado o projeto e anos mais tarde retornou como carro de competição, usando mecânica do Pajero, e assim como o Pajero, era preparado pela SONAUTO. Não foi o primeiro carro a usar carroceria baseada em carro antigo a correr no Dakar…mas com certeza chamava atenção por onde passasse.


Buggy Schlesser

Além dos carros de fábrica, um dos mais mportantes carros na história do Dakar é o Buggy Schlesser. Jean-Louis Schlesser, compete na prova desde 1988 e constrói seus carros desde 1990. O Buggy Schelesser, já teve vários motores, Renault, Porsche, SEAT, e Ford. E a partir de 1995, a carroceria incorporava um desenho semelhante ao de algum carro da marca do motor. no caso da SEAT, era o Ibiza, com a Renault, foi Megàne e Kangoo, com a Ford foi Focus e atualmente um veículo baseado no GT. Os Buggies Schlesser ganharam cinco vezes o mundial de Cross Country (1998-2002), o Dakar em 1999 e 2000, entre outras competições.

 

Rolls-Royce Silver Shadow


Um dos carros mais curiosos que já passaram pelo Cross-Country, foi o Rolls Royce Silve Shadow, sim, uma limosine que participou do Rally Dakar de 1981, pilotada e idealizada pelo piloto Thierry de Mortcorgé, em um jantar com amigos, e meses depois com apoio de Christian Dior, que aproveitou a oportunidade para divulgar sua fragância “Jules”, entrou como patrocinador principal do carro. O carro sofreu modificações em sua carroceria, com os painéis sendo substituídos por cópias feitas em poliéster, mantendo apenas as portas, capô e porta-malas em alumínio. Contava com um chassi tubular desenvolvido especialmente para o carro, sistema de tração 4×4 da Toyota Land Cruiser assim como caixa de marchas de 4 velocidades também da Toyota. Para empurrar isso tudo foi usado um motor Chevrolet V8 de 5.700 cc com 350HP, alimentado por um “pequeno” tanque de 330 litros. Na corrida o carro ia bem em 13º mas devido a uma quebra da barra de direção sofreu um acidente e levou bastante tempo para ser reparado. Foi desclassificado, mas seguiu como um dos 40 carros a terminar o Dakar daquele ano.

 

NAMI 0290 “Appelsin”

Em finais da década de 1980, o Instituto Central de Pesquisa e Desenvolvimento para Automóveis e Motores Automotivos NAMI na então URSS, desenvolveu um modelo para correr no Rali do Faraós (Egito). O Carro contava com peças provenientes de vários carros de fabricação soviética. O motor era o 1.600cc do Lada 2107 Zhiguli com a adição de uma turbina Mitsubishi, resultando em 180HP e máxima de 210 km/h. Tração 4×4 permanente, com divisão de torque de 50% para cada eixo. Outras peças provenientes de carros de rua eram as portas do ZAZ Tavria, as lanternas traseiras e as rodas de aço estampado de 13″ do Lada 2108 Samara. O projeto Appelsin (laranja em russo) foi razoavelmente bem sucedido, sendo um carro bastante competitivo.

SEAT Toledo Marathon

O SEAT Toledo Marathon foi um dos grandes carros que correram na categoria protótipos 4×4, lançado em 1992, substituindo os SEAT Marbella Proto e os Ibiza Bimotor nos ralis, o Toledo Marathon, fez um grande sucesso numa carreira relativamente curta, foi vencedor do Baja Portugal em 1993 com José Maria Servià, em 1994, foi bem no Mundial Cross-Country, sendo segundo no Baja Portugal, com Erwin Webber, e terceiro e quarto lugares no Baja España com Webber e Servià respectivamente. Seu último grande resultado foi um segundo lugar no Raid da Grécia, com Servià, e em 1994 se despede com o fim dos protótipos 4×4.

 

Citroën ZX Rally Raid

Com o fim do Grupo B em 1986, muitos fabricantes passaram a utilizar seus carros em outras competições, e o Campeonato Mundial de Todo-Terreno foi uma espécie de lar para esses carros. O Citroën ZX Rally Raid, também conhecido como ZX Monster, foi desenvolvido em 1990 pela Citroën, após os sucessos da Porsche com o 959 e da Peugeot com os 205 e 405 t16, e nos sete anos em que competiu (1990-1997), ganhou quatro vezes o Dakar (1991, 1993,1994,1995) e foi tetracampeão do Mundial de Todo-Terreno (1993,1994,1995,1996).

Peugeot 405 t16 GR

Aproveitando o sucesso do 205 t16 no Grupo B, e após o cancelamento da categoria, a Peugeot voltou-se para outras competições, como os Rally Cross-Country, onde poderiam usar seus carros. Em 1988, o 205 ganhou um companheiro, o Peugeot 405 t16GR, uma versão de competição do sedã médio da marca, tinha basicamente o mesmo perfil do 205, motor central, tração integral e alto desempenho. Ficou famoso por estrelar o vídeo Climb Dance, onde sob controle de Ari Vatanen, estabelece o recorde mundial na subida de Pikes Peak, e ganha três vezes o Paris-Dakar, 1988 até 1990, correndo contra os Porsche 959 e Citroën ZX Rallye Raid. após uma campanha vitoriosa, a Peugeot se retira dos ralis. e o 405 t16 se aposenta, dando lugar aos 405 Mi que competiram nos campeonatos de turismo europeu e no campeonato inglês, sendo igualmente vitoriosos.

Lada Samara T3

A Lada foi a primeira marca a entrar oficialmente no Dakar, o Niva teve uma carreira brilhante no Mundial de Cross Country, mas embora com vinte pódios gerais no Dakar e vencer inúmeras etapas, não conseguiu nenhuma vitória geral. Em 1989 a Lada em associação com a importadora francesa Poch, e a Equipe Oreca prepararam além dos Niva, alguns Samara (VAZ 2108) para concorrer no mundial de Cross-Country na categoria protótipos. Era uma evolução do Samara Eva (protótipo da Lada para o Gr.B) com motor Porsche. Em 1990 ele estréia no Dakar, nas mãos de pilotos como Patrick Tambay e Jacky Ickx. Conseguiu bons resultados em outras competições, como o Rally dos Faraós, Rally da Tunísia e Baja Aragon. E, com o fim dos portótipos 4×4, o Samara T3 se despede das competições.

 

MAN KAT Proto 8×8

Vos trago o MAN KAT Proto 8×8, pilotado pelo trio Alain Galland/Jean-Louis Raimondi/Guy-Louis Duboucheron. O mastodôntico caminhão da Seiko foi usado no Rali Dakar de 1982. O Bruto foi feito com base no MAN KAT padrão, um modelo com características de transporte pesado, com uma carroceria especial para correr, além das alterações necessárias para uma prova desse tipo, mas havia um toque de delicadeza no bruto, devido ao enorme espaço interno, foi feito um salão de recepção luxuoso na parte traseira do caminhão, usado no final de cada etapa!!!!

Na prova foi razoável, tendo abandonado no meio do percurso.

 

Aixam Mega Desert

O Aixam Mega Desert foi um protótipo para Rally Cross-Country baseado no Mega de rua, além de ganhar mecânica Mitsubishi (mais precisamente do Pajero) ao invés da usual Citroën, comum nos carros da marca francesa na época, seus modelos esportivos se tornaram parte do passado, tanto os Mega, como o Monte Carlo.A marca segue construindo carros citadinos de baixa cilindrada, e alguns elétricos. A participação dos Mega em competições foi rápida, participou do Rally Dakar de 2000 tendo uma excelente segundo lugar, mantendo o mesmo ritmo dos Pajero Evolution oficiais. Houve uma versão irmã para corridas no gelo, o Aixam Mega Glace, mais baixo e largo que o Desert.

 

Porsche 959

O Projeto do Porsche 959 começou para ser um carro de corridas do Grupo B, mas embora não tenha conseguido a homologação em tempo hábil para participar do Mundial de Rallys, já que o Gr.B foi cancelado em 1986, Além dos custos de participar de toda a temporada que eram altos, impediram da Porsche entrar no WRC de forma efetiva. Mas o carro foi utilizado no Mundial de Todo-Terreno com sucesso. Em 1984 no Dakar, a fabricante alemã inscreveu 3 modelos 911 modificados com as especificações do 959 como teste. No ano seguinte, os três 959 abandonaram, mas em 1986 fizeram dobradinha e a Porsche dominou a competição até a chegada dos Peugeot na Década de 90.

Nas pistas, a versão de endurance, o Porsche 961 começou bem com um 7º geral (1º na classe) nas 24H de Le Mans de 1986, mas em 1987 tiveram péssimos resultados, e acabaram sendo retirados de competição.

 

Peugeot 205 t16

 

O pequeno Peugeot, foi um divisor de águas na categoria, introduzindo conceitos que tornavam os carros da primeira geração do Grupo B obsoletos, como chassi tubular, motor turbo central de até 500HP, tração 4×4 e carroceria de material composto. Essas características já eram de alguns carros…mas o 205 t16 era o melhor de vários carros num só. Foi introduzido no WRC na temporada de 1984, onde dominou com facilidade até encontrar um inimigo a sua altura, o Lancia Delta S4 em 1986. Nesse ano a disputa era entre as duas marcas, com vitória francesa no título dos contrutores após o resultado do rali de San Remo (ganho pela Lancia) ser anulado pela FISA. Sendo o último campeão do Grupo B, o 205 t16 foi remanejado para os ralis Cross-Country, onde ganhou inúmeras provas, inclusive o Dakar por duas vezes, em 1987 e 1988.

 

fonte: blog4x4