Grand Prix

Com o surgimento dos primeiros automóveis, surgiram as primeiras corridas. Já em 1894, na França, foi realizada a primeira prova automobilística da história, a corrida entre Paris e Rouen. Com a evolução dos automóveis, as provas foram ficando mais complexas, passando a serem disputadas em circuitos fechados. Além disso, iniciativas como a Gordon Bennett Cup (criada pelo magnata das comunicações James Gordon Bennett Jr. em 1900 até 1905) e a Vanderbilt Cup ( criada em 1904 por William Kassam Vanderbilt II), estabeleceram as bases para os futuros Grandes Prêmios pela AIACR (Association International des Automobile Club Reconnus), predecessora da FIA: Provas anuais sendo disputadas por concorrentes de todo o mundo, utilizando um sistema de cores para identificar a origem das equipes, circuitos fechados e servindo de base para desenvolvimento de novas tecnologias para os carros.

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Em 1906, o ACF (Automobile Club de France) criou o Grand Prix de l’Automobile Club de France, prova a ser disputada em circuito fechado em Le Mans, com base no modelo e no sucesso da Gordon Bennett Cup, num traçado triangular de pouco mais de 103 km entre Le Mans, Saint-Calais e La Fert-Bernard. O trajeto incluía muretas de madeira para separar o público da pista, evitando repetir os erros e acidentes das provas em estradas abertas. O sucesso da prova inaugural, que contou com 13 fabricantes inscritos da França (Clément-Bayard, Hotchkiss, Gobron-Brillié, Darracq, Vulpes, Brasier, Panhard, Grégoire, Lorraine-Dietrich and Renault.) , Alemanha (Mercedes-Benz) e Itália (FIAT e Itala) e 34 pilotos que disputavam em 12 voltas o Grande Prêmio de 45.000 Francos, levou a criação de outras provas, como o Kaiserpreis na Alemanha, em 1907, que junto com a prova sucessora, Priz-Heinrich-Fahrt, disputada de 1908 até 1911, serviram de base para o Grande Prêmio Alemão depois da Primeira Guerra Mundial.

A Coppa Florio também teve influência da Copa Bennett. Em 1905, Vicenzo Florio ofereceu um prêmio de 50 mil Liras ao vencedor da corrida em Brescia, estabelecendo a base do que seria o Grande Prêmio da Itália.

No outro lado do continente, em 1909 era inaugurado em Indiana o circuito oval de 2,5 milhas de Indianapolis, servindo de sede dois anos depois para a International 500-Mile Sweepstakes Race, mais conhecida como Indy 500.

Em 1925, foi organizado o primeiro Campeonato Mundial de Automobilismo, reunindo algumas das provas anuais de Grande Prêmio, sendo as 500 Milhas de Indianápolis a única fora da Europa válida pela AIACR, as outras eram os GP’s da França, Bélgica e Itália. O campeonato tinha um sistema de pontuação diferente dos atuais, onde o vencedor levava menos pontos, seguindo o seguinte critério:
1º lugar – 1 ponto
2º lugar – 2 pontos
3º lugar – 3 pontos
4º lugar em diante – 4 pontos
Abandonos – 5 pontos
Não largaram – 6 pontos
Além disso, havia a obrigatoriedade de participar do Grande Prêmio da Itália e o GP do país de origem, além da possibilidade da dispensa de uma prova. A Alfa Romeo foi campeã com 7 pontos, com duas vitórias na Bélgica e Itália, abandonando na França.

Em 1926, a prova belga dava lugar ao Gran Premio de San Sebastián, na Espanha e o calendário era ampliado com o Royal Automobile Club Grand Prix, o GP da Inglaterra. Sem a opção pelo descarte de uma prova, a Bugatti foi campeã com 11 pontos, três vitórias na França, Espanha e Itália e a não participação nos Estados Unidos. No ano seguinte, a Delage ganhou todas as provas do calendário europeu, sendo campeão com 10 pontos, 4 das vitórias na França, Espanha, Itália e Inglaterra e 6 da não participação nos Estados Unidos.

1928 e 1929, foram anos que só tiveram basicamente provas sancionadas pela AIACR, as 500 Milhas de Indianápolis e o Grand Prix da Itália (1928) e a prova francesa (1929). Por esse motivo, não foi disputado o campeonato mundial. Em contrapartida, a popularidade dos Grand Prix aumentavam na Itália, França e Inglaterra. Surgindo nesse mesmo ano, duas provas na Irlanda (Irish International Grand Prix em Dublin) e Montecarlo (Monaco Grand Prix). Ainda em 1929, surge uma pequena equipe italiana que acaba se tornando satélite da poderosa Squadra Corse Alfa Romeo, a Scuderia Ferrari.

A AIACR decidiu retomar o campeonato, focando desta vez, no continente europeu  e nos pilotos, surgindo o Campeonato Europeu de Pilotos em 1931. O sistema de pontuação era baseado na resistência: Quem completasse mais de 75% da prova ganhava 4 pontos; entre 50 e 75%, ganhava 5; entre 25 e 50%, 6 e menos de 25% da prova ganhava 7 pontos. A regularidade de Ferdinando Minoia e a resistência de seu Alfa Romeo 8C 2300 o fez ser o primeiro campeão com 9 pontos, dois pódios e nenhuma vitória, chegando em terceiro (Itália), sétimo (França) e segundo (Bélgica). Em 1932, Tazio Nuvolari é campeão ganhando duas das três corridas(Itália e França) e chegando em segundo na Alemanha, perdendo para Rudolf Caracciolla também da Alfa Romeo.

As provas extra-campeonato proliferavam, tanto na Europa (e nas colônias africanas) como em outros continentes, com o Circuito de Rua da Gávea, no Rio de Janeiro (1934-1941) o Gran Premio Ciudad de Buenos Aires, na capital Argentina (1936-1952).

Em 1933 e 1934, houve um hiato, com o campeonato retornando em 1935, com o domínio alemão tanto nas marcas (Auto Union e Mercedes-Benz), quanto de pilotos, com Bernd Rosemeyer, Rudolf Caracciolla, Hermann Lang, Hans Stuck, entre outros. Rudolf Caracciolla foi campeão vencendo quatro das sete provas do campeonato (França, Bélgica, Suíça e Espanha), com Luigi Fagioli (Mônaco), Tazio Nuvolari (Alemanha) e Hans Stuck (Itália).

1936 marcou a ascensão meteórica de Bernd Rosemeyer, jovem talento alemão, que protagonizou uma grande rivalidade com Rudolf Caracciola nos Grand Prix. Rosemeyer e seu Auto Union Typ C ganharam 3 das quatro provas oficiais daquele ano (Alemanha, Suíça e Itália), exceto a primeira, em Mônaco, vencida por Caracciola.

Essa segunda metade da década de 1930 marcou o domínio alemão, que na época usava o automobilismo como propaganda política, através da NSKK – Nationalsozialistisches Kraftfahrkorps, que recrutava todos os pilotos alemães da época e do financiamento do governo para as montadoras investirem em desenvolvimento de novas máquinas, mais potentes e mais rápidas. Isso ficou evidente em 1937, com o Mercedes-Benz W125 desenvolvido com aproximadamente 650 HP contra os Auto Union Typ C com cerca de 513 e os italianos Alfa Romeo e Maserati com 430 (12C) e 350 (V8RI) HP respectivamente. Rudolf Caracciola foi campeão com três vitórias (Alemanha, Suíça e Itália) enquanto Rudolf Hasse venceu na Bélgica para a Auto Union, e Manfred von Brauschwitz venceu em Mônaco, também de Mercedes-Benz.

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Mesmo com a potência sendo reduzida, para menos de 500 HP, a Mercedes dominou mais uma vez em 1938. Mas, embora a marca tenha dominado, 1938 foi bastante concorrido entre os pilotos, Rudolf Caracciola foi campeão com base na regularidade, já que as quatro provas válidas do ano, foram vencidas por quatro pilotos diferentes, com Manfred von Brauschwitz (Mercedes-Benz) ganhando na França; Richard Seaman (Mercedes-Benz) na Alemanha, Rudolf Caracciola (Mercedes-Benz) na Suíça e Tazio Nuvolari (Auto Union) na Itália.

O campeonato de 1939 foi o último da era dos Grand Prix, que novamente mostraria o domínio da Mercedes-Benz, só que com outros protagonistas, Hermann Lang (Mercedes-Benz) e Hermann Paul Müller (Auto Union), duas novas estrelas alemãs que disputaram o campeonato que foi interrompido pela Segunda Guerra Mundial.

Inicialmente proposto com cinco etapas: Bélgica, França, Alemanha, Suíça e Itália, foi reduzido a quatro, com o cancelamento do Grand Prix italiano. Hermann Lang ganhou a primeira e a última das provas válidas (Bélgica e Suíça), abandonando na França e na Alemanha. Hermann Paul Müller ganhou na França e abandonou na Bélgica. Rudolf Caracciola ganhou na Alemanha e abandonou na Bélgica e na França. A AIACR estava em vias de alterar o sistema de pontuação para um novo modelo, de máximo de pontos, semelhante ao utilizado na Fórmula 1, anos depois. Com isso, na pontuação mínima, Hermann Paul Müller seria campeão com 12 pontos contra 14 de Hermann Lang; Já com o novo sistema de pontuação máxima, Hermann Lang marcaria 22 pontos contra 21 de Hermann Paul Müller.

12 dias após o Grande Prêmio da Suíça, a Alemanha invadiu a Polônia iniciando a Segunda Guerra Mundial e a reunião da AIACR que decidiria o campeão europeu de 1939 marcada para outubro, nunca ocorreu. Como Lang já era considerado campeão provisório pelas duas vitórias, a NSKK incluiu provas extra-campeonato na contagem dos pontos e o declarou Hermann Lang como campeão. A AIACR só voltou a se reunir após a guerra em 1946, mas já como FIA – Fédération Internationale de l’Automobile e um novo regulamento, Fórmula 1 usando os Grand Prix como base, mas sem um campeonato sancionado. Em 1949, a FIM – Fédération Internationale de Motocyclisme criou o FIM Road Racing World Championship Grand Prix, atual MotoGP, a FIA então no ano seguinte criou o FIA Formula One World Championship, com inspiração nos Grand Prix e já utilizando o sistema francês de pontuação que seria adotado antes da guerra.

 

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