Picapes: Ford Pampa Jeep 4×4

Após o fim da produção do Jeep no Brasil, a Ford ficou com uma lacuna na área do fora de estrada, e como já havia lançado a picape Ford Pampa, derivada da linha Corcel II em 1982, mesmo ano que a Ford brasileira suspendeu a produção nacional do Jeep, em 1984 surguiu a versão 4×4 da pequena picape. Sua produção foi de 1984 até 1995. O engate da tração traseira se dava na própria caixa de marchas, sem redução, e com isso roubava espaço da 5ª marcha, e causava um inconveniente, se ultrapassar os 80 km/h poderia destruir o diferencial traseiro, sendo o uso da tração 4×4 recomendado para terrenos difíceis.

Picapes: GM série 10/20 4×4

A série 20 da GM brasileira veio para substituir a antiga série 10, com os modelos sendo identificados pelo combustível (A para álcool, D para diesel, e C sobrou para gasolina, mais porque era a nomenclatura das antigas picapes) e pela capacidade de carga, 10 para 10.000 libras e 20 para 20.000 libras de capacidade. Em 1985 veio uma reestilização que deu um ar de picape americana nos modelos, e em 1987 começaram os projetos para versão 4×4 da série 20. Originalmente lançada em 1989, com auxílio da QT Engenharia, mais uma falha no projeto obrigou a GM a procurar outro fornecedor para o sistema de tração, e no ano seguinte seria fornecida pela ENGESA.

Jipes: Willys Rural

A Willys Overland no final da Segunda Guerra Mundial, tinha planos de fazer um “Carro da Vitória”, usando a base mecânica do Jeep, em 1946, lançaram o Jeep Station Wagon, uma versão mais família do Jeep militar. Na década de 1950, a Willys do Brasil, compra os direitos do nome do Rural-1, para batizar sua versão do Jeep Station Wagon. E, devido a construção da nova capital brasileira, a marca utiliza o estilo arquitetônico da nova cidade para desenhar uma nova carroceria para o modelo, rebatizado de Rural. Foi fabricado entre 1956 até 1977 no Brasil, sendo entre 1956 até 1968 pela Willys Overland e entre 1969 até 1977 pela Ford. Em 1961 veio a versão picape, chamada inicialmente Picape Jeep, e após 1972, rebatizada de F75. Em 1964, veio a versão 4X2 e com isso passou a ser popular nas cidades.

Carros de Competição: Renault 20 turbo 4×4

Após impressionarem chegando em segundo na primeira edição do Rally Oásis (futuro Dakar), com um pequeno Renault R4, os irmãos Marreau voltaram três anos depois com um protótipo baseado no modelo R20, com motor 1.6 turbo de 132HP e tração nas quatro rodas e levaram a vitória, duelando contra os favoritos da Prova, os Ladas Poch, Mercedes entre outros. A dupla contava com apoio da marca, tanto que o 20 turbo 4×4 usava as cores da Renault Compétition na época, além de ter sido desenvolvido exclusivamente para a dupla.

Carros de Competição: Lotus 56B

No 200º post, terminamos a série de carros 4×4 na Fórmula 1, com um dos modelos mais revolucionários da categoria. O Lotus 56B:

A Lotus tentou reintroduzir a tração 4×4 na Fórmula 1 utilizando um outro carro revolucionário, o Lotus 56, criado para a Indy 500, o carro era dotado de uma turbina Pratt&Whitney sem embreagem e sem caixa de marchas, o motor era ligado diretamente no sistema de tração Fergusson. O carro foi usado pela primeira vez em corridas extra-oficiais de Fórmula 1 com Emerson Fittipaldi e Reine Wisell, ambos tiveram probelmas com a suspensão. Oficialmente o carro foi inscrito em três provas, o Grande Prêmio da Holanda, onde o carro teve sua melhor corrida, Dave Walker havia se classificado em 22º, mas como a corrida foi sob forte chuva, a tração 4×4 se tornava uma grande vantagem, e ele ia andando bem até chegar em 10º a cinco voltas do final quando bateu, segundo o próprio Colin Chapman, aquela poderia ter sido a única corrida ganha por um carro 4×4. As outras duas foram o Grande Prêmio da Inglaterra, onde Wisell abandonou por problemas no carro, e o Grande Prêmio da Itália, onde Emerson Fittipaldi terminou em oitavo, com o carro usando um protótipo do layout usado nas Lotus-JPS.

Depois disso, nunca mais tentaram colocar um carro com tração nas 4 rodas, que foi banida pela FISA em 1982 na Fórmula 1.

EDIT: O piloto do Lotus 56B na Holanda  foi Dave Walker e não Reine Wisell

Carros de Competição: Cosworth F1 4WD

A Cosworth foi uma preparadora que mudou a F1 na década de 60 com o motor DFV (Double Four Valve), e com apoio da Ford começou um projeto de um carro próprio. Walter Hayes, diretor esportivo da Ford, e quem autorizou o projeto do motor DFV, e elo de ligação da Ford com a Cosworth, autorizou o desenvolvimento do carro. O carro foi desenhado por Robin Herd, ex-projetista da McLaren, em conjunto com o próprio Keith Duckworth, o carro contava com um desenho revolucionário para a época, parecia mais um carro da década de 1970 do que um F1 de 1969. Além de contar com um sistema de tração 4×4 desenvolvido pela própria Cosworth, além de uma caixa de câmbio específica e uma nova versão do motor DFV com bloco fundido em Magnésio!!!!!!! Parecia promissor, mas não foi…Trevor Taylor testou o carro, assim como Mike Costin (sócio de Keith Duckworth na Cosworth) e não tiveram muito êxito, remanejaram algumas peças para balancear a distribuição de peso do carro, mas assim como os outros modelos, sofria com uma tendência muito forte de subesterço, melhorou um pouco com a adoção de um diferencial LSD. Jackie Stweart testou o carro, e constatou: “A frente é tão pesada, que quando você entra numa curva, parece que o carro que dirige você!”, Mike e Trevor tinham a mesma opinião. O carro era pra correr no Grande Prêmio da Inglaterra de 1969, mas depois desse teste, Walter Heyes retirou o suporte da Ford e o projeto foi engavetado.

Carros de Competição: McLaren M9A

O McLaren M9A foi o último carro 4×4 a ser lançado em 1969, ficou pronto a tempo para o Grande Prêmio da Inglaterra daquele ano, mas na quinta volta, Derek Bell abandona por conta de uma quebra na suspensão, e o McLaren numeral 20, sai das corridas para entrar na história. Bruce McLaren, em pessoa testou o carro, e sentenciou: “Pilotar esse carro é como tentar assinar com alguém mexendo constantemente seu cotovelo!”. Como todos os outros carros, sofria de um forte substerço, além de ser muito pesado, o era uma desvantagem contra os carros normais.

Carros de Competição: BRM P67

Em 1964, a BRM ficou interessada na tecnologia do Ferguson P99 e decidiu adiquirir o sistema e ter seu carro 4×4 de Fórmula 1. A equação era: chassi do BRM P261 + suspensão do BRM P57 + motor do BRM P56 montado “ao contrário” + sistema Ferguson = BRM P67. O P67 teve vida breve, a equipe o usou somente no GP da Inglaterra de 1964 como terceiro carro, com um piloto estreante, Richard Attwood, que se classificou em último mas não chegou a largar por desistência da própria equipe. Na verdade eles estavam mais preocupados com o novo regulamento de motores e desenvolveram um motor em H que poderia ser usado com o carro 4×4, mas ambas as coisas deram errado para a equipe e retornaram para os carros convencionais. O P67 teve mais sucesso em provas de subida de montanha.

Carros de Competição: Fergusson P99

Na década de 1960, houveram muitos esperimentos na Fórmula 1, início dos estudos aerodinâmicos, motores centrais, além de formatos como o H16 da BRM, mas esse período também marcou o uso da tração 4×4 na categoria.Em 1960, a companhia Ferguson Research queria demosntrar seu sistema 4×4 e viu nas corridas uma vitrine para seus sistema. Foi concebido para ter uma divisão de 50:50 no peso por eixo e motor dianteiro, no caso um Climax 4 cilindros de 1.5 litro. Foi usado pela primeira vez em 1961 pela equipe de Rob Walker em algumas provas extra-campeonato, no campeonato foi pouco competitivo contra os carros com motor central traseiro, como os Cooper e Lotus. Com Stirling Moss ao volante, venceu a primeira corrida de um carro 4×4 e a última de um carro com motor dianteiro na F1, o International Gold Cup de Outon Park em 1961. O carro é considerado por Stirling Moss como o melhor carro de F1 que ele já pilotou.
Em 1963, o carro recebeu um novo motor Climax de 2.5 litros e foi pilotado por Graham Hill na Austrália com bons resultados. A Fergusson abandonou o projeto em 1964 passando a vender seu sistema 4×4 para outras equipes.

Carros de Competição: Protótipo Fischer

Assim como o simpático Bi-bip, o Fischer é um dos protótipos mais queridos do Rally dos Sertões. O simpático modelo, foi idealizado por Valério Valente, piloto do carro e chefe de equipe da Equipe Fischer de Rally. A carroceria foi feita com base na do Ford 34 em fibra, mas mecanicamente é uma Toyota Hilux preparada pra competição Cross-Country. Inicialmente a idéia era usar uma carroceria da Ford F-100, mas escolheram o Ford 34 por ter a mesma distância entre-eixos da Hilux. O resultado não foi nada mal…um calhambeque Turbodiesel de 153HP e tração 4×4.

fonte: Revista 4×4 e cia número 77 (Dez/99) e Fischer Freios