Luiz Pereira Bueno a.k.a. Peroba

Morreu ontem, um dos mais importantes pilotos brasileiros, Luiz Pereira “Peroba” Bueno. Luizinho foi diagnosticado com Cancer de Pulmão, e vinha lutando com ajuda de seus irmãos de pista. Não era muito conhecido por quem assiste corridas na tv como outros pilotos já falecidos, mas admirado, e respeitado por todos os que entendem e acompanham automobilismo.


Nascido em 1937, em São Paulo, Luizinho conheceu o automobilismo logo criança, aos 7 anos seus pais o levam para assistir uma corrida em Interlagos de carros movidos à gasogênio. Coincidentemente nessa época, seu vizinho de infância era Ciro Caíres, outra lenda do automobilismo nacional. Aos 11 anos, retorna à Interlagos, e se apaixona pelas corridas. tal paixão o faz ser reprovado na escola. Seu pai no entanto o manda para um colégio interno no interior do estado.

“- Não é castigo mas você vai para Campinas, colégio interno, para pegar disciplina e aprender a estudar, gostar de corrida, gostar de motor, gostar de automóvel, tudo bem, mas o mínimo que você precisa é estudar.”

De fato, seu pai estava certo, o garoto aprendeu a lição, e a pôs em prática…dois anos depois retornava à capital paulista, e auxiliava seu cunhado na recém aberta oficina. Luizinho se divide entre o aprendizado da escola e o aprendizado da oficina. Aos 19 anos, ainda na oficina, conhece outra lenda nacional, seu amigo de longa data, Bird Clemente, com quem começou a correr em parceria em 1958.

1959 marca o início de sua relação com a Willys-Overland de uma forma inusitada, vai até a fábrica pedir emprego. Conseguiu uma vaga na seção de eixos e transmissões, mas acabou pouco tempo lá, indo parar em uma concessionária da marca, mas logo depois retorna para um curso de especialização da fábrica sobre um novo modelo, o Dauphine (feito sob licença da Renault). No ano seguinte, se casa e fica sem correr, retomando em 1961, onde após um excelente resultado nas 24H de Interlagos com um Dauphine, foi convidado pela Willys-Overland para fazer parte do Departamento de Carros Esporte. Com isso, é enviado para a França para um estágio em Dieppe na fábrica da Alpine. De volta ao Brasil e à Willys, Luizinho é integrado a Equipe Willys, sob chefia de Christian “Bino” Heins, e logo se demite como funcionário da equipe.

Junto com um amigo, cria a Torque, oficina especializada em modelos e origem Renault (Dauphine, Gordini, Interlagos) em 1962. No ano seguinte, é “promovido” na Equipe Willys, passando dos Gordini 1093 para o Interlagos (versão sob licença do Renault Alpine A-108) após um excelente resultado na Fórmula Jr. Em 1964, em parceria com seu ídolo, Chico Landi, corre as 500 Milhas de Porto Alegre, e no mesmo ano, as 200 Milhas de Montevideo, no Uruguai, sua primeira prova internacional. Em 1968, após a aquisição da Willys-Overland pela Ford, encerra seu ciclo com a equipe verde e amarela. Passando a correr numa equipe privada a bordo de um BMW 2002ti. Nesse mesmo ano, graças ao seu amigo Ricardo Ashcar, consegue um teste na equipe de Stirling Moss na Fórmula Ford.

“- O Moss veio para o Brasil a convite de uma revista e o Ricardo o levou para o Rio de Janeiro onde, após passarem por algumas festas, conseguiu convencê-lo a nos receber para um treino na categoria“,contou Bueno.

Isso abriu caminho para uma galera boa, Ricardo Ashcar, Milton Amaral, Luiz Pereira Bueno e Norman Casari. No teste, Moss gosta muito de Bueno, e pede para escolher seu companheiro de equipe, a escolha recai sobre Ricardo Ashcar, afinal, foi o responsável por ele estar ali. Com dificuldades em conseguir patrocínio para uma temporada na Inglaterra, eles chegam após o início da temporada. O começo de Peroba foi complicado, após uma batida grave que danificou bastante o carro, depois disso vieram dois resultados ruins, que foram causados pelo chassi do carro que após a reconstrução após o acidente não fora alinhado novamente. resolvido isso, fecha a temporada como vice-campeão. No ano seguinte, retorna ao Brasil para um torneio de Fórmula Ford, onde correu com chassi Merlyn em quase todo o certame, mudando apenas na última prova para um Lola, com a promessa de um dos diretores da marca de que teria um Fórmula 5000 para correr no ano seguinte.

1970 parecia promissor, com uma promessa da Lola de ter um carro de Fórmula 5000, mas sem lugar na SMART, ele e Greco, que fora chefe de equipe da Willys após a morte de Heins, saíram em busca de patrocínio. A promessa da Lola não passou disso, e mesmo tentando algo com Ecclestone (Brabham) e Mosley (March) não conseguiram um carro para seguir carreira no exterior.

“- Na época houve até a idéia, o Greco até sugeriu a possibilidade de comprar a Brabham que estava sendo ofertada. Era pequena, não era grande, artesanal. Mas aqui o Greco não conseguiu levantar patrocínio, então fiquei mais um pouco e vim”. Relembra Peroba.

Greco reintegrou Peroba na equipe e com o Bino Mk II venceu os 500km de Interlagos pela segunda vez.

Em 1971, ele junto com Chico Rosa, José Carlos Pace, Anísio Campos e Walter Uchoa, criam a Equipe Z, nos molde de uma equipe de porte profissional, com isso compram um Porsche 908/2, um 910 usado e dois Fórmula Ford. Na estréia do 908/2, o carro não fica pronto a tempo de classificação, fazendo com que Peroba saia da última posição no grid. Mas na largada, ele lidera a prova logo ao alcançar a curva 1 e vence as duas baterias. Após comprarem a equipe de Ricardo Ashcar, levam o patrocínio da Souza Cruz, fabricante de cigarros e a equipe é renomeada Equipe Hollywood. No ano seguinte, faz história, aos 35 anos, estreia na F1 com um March alugado, e sem poder acertar o carro antes de correr, sai e crava o recorde de velocidade do anel externo de Interlagos, feito que nunca será superado, já que a parte externa foi desfeita após a reforma do traçado na década de 1980. Na corrida, ele sai em 10º e termina em 6º, mas como foi uma prova extra-campeonato, não marca pontos. no mesmo ano, aproveitando que o Porsche 908/2 teria que fazer um rebuild a Equipe Hollywood se inscreve nos 1000 km de Zeltweg na Áustria, nesse ano, os protótipos importados são proibidos no Brasil…

1973, novamente com um F1 nas mãos, dessa vez um Surtees, Peroba tenta se classificar mas o carro não ajuda. Após duas voltas, volta pros boxes e diz que o carro é inguiável. John Surtees fica irritado, com a ousadia do piloto e responde que talvez Luizinho não fosse tão bom assim para andar na F1. Pace, que era titular na equipe pega o carro e sai, não termina a volta e ao parar nos boxes confirma a opinião do amigo e ex-companheiro de equipe de longa data. O carro estava impraticável.

“- Constatou-se então que na montagem apressada os mecânicos tinham invertido um dos triângulos dianteiros e com isso o carro tinha uma medida diferente para cada lado do entre-eixos. De imediato, Surtees me pediu mil desculpas”. Relembrou Bueno.

Na corrida, um problema elétrico o faz perder boa parte da ação, terminando em 12º.

No mesmo ano, a bordo dos Opala de Divisão 3 tem uma sequencia de resultados ruins, mas no meio da temporada, duas lendas se casam. A Equipe Hollywood havia encomendado à Oreste Berta, um Maverick Divisão 3, e teve um monstro de resultado. O carro foi todo trabalhado de acordo com as experiências com o Opala. Em 1975, a bordo do protótipo Berta se sagra campeão nacional mais uma vez. Nesse ano, a Souza Cruz anuncia que retirará o patrocínio e a equipe se desfaz.

A partir daí, Peroba, passa a fazer corridas esporádicas, em 1978, numa prova de Divisão 1, quase não corre, por causa de um acidente com o caminhão que trazia seu carro de São Paulo para o Rio de Janeiro. Terminou a prova em Jacarepaguá em 11º. 3 anos depois vai para a Stock Car, mas após resultados medianos, se retira de vez…em 1984, a convite do amigo Lian Duarte (que lhe vendera o Porsche 910 para a equipe Hollywood) participa dos 1000km de Brasília. Aí sim, Peroba pendura o capacete, e se muda para Atibaia, interior de São Paulo. Mas Luizinho passou a ser sempre convidado para eventos de antigomobilismo, numa dessas idas a encontros de carros antigos, se reencontrou com o velho Maverick-Berta de Divisão 3 em 2002. Recentemente, na exposição “Clássicos de Competição” em 2007, foi junto com os amigos, rivais, e ex-companheiros de equipe: Jan Balder, Bird Clemente, e Mário César de Camargo, palestrante sobre o automobilismo dos anos 1960.

fontes:óbvio, bandeira quadriculada, blog oficial

Grandes Pilotos: Pat Moss-Carlsson

Pat Moss-Carlsson (1934-2008), começou sua carreira no hipismo onde conseguiu relativo sucesso, sendo parte da equipe da equipe inglesa de eqüitação. Mas tinha a paixão pelo automobilismo era de família, ela era irmã mais nova de Sir Stirling Moss OBE, e seus pais competiam também. Seu pai, Albert Moss, corria em circuitos, enquanto sua mãe participava de provas de trial. Algo que despertava seu interesse. Embora sua família estivesse profundamente ligada ao automobilismo, ela o odiava, mas mudou de idéia ao ser convidada por um amigo para assistir um rali na região onde morava.
Em 1953, começa a pilotar, e em 1958, na equipe de fábrica da BMC, começa a sua gloriosa carreira, com um Morris Minor, chega em quarto no RAC Rally (Inglaterra) e um outro quarto lugar, no Liège-Roma-Liège. Com um Austin Healey 100 ganha o primeiro dos seus cinco títulos do Campeonato Europeu de Rally para Damas (1958, 1960, 1962, 1964 e 1965).
Dois anos depois, ela ganha o Liège-Roma-Liège, com um Austin Healey 3000, e um segundo Lugar no Coupe des Alpes na França, no RAC de 1961 consegue um segundo lugar, atrás de Erik Carlsson, seu futuro marido, e companheiro de equipe.
Em 1962 conseguia mais resultados excelentes, terceiro no Rally Safari(Quênia), com um Saab 96, e no RAC Rally com um Austin Healey 3000, ganhou o Rali das Tulipas (Holanda) com um BMC Mini Cooper, carro que ela considerava arisco e traiçoeiro quando no limite. E, essa, foi a primeira das várias vitórias do pequeno carro nos ralis. No final do ano ela termina como vice campeã do Europeu de Ralis, terminando atrás de Eugen Böhringer da Mercedes-Benz.
Se muda para Ford em 1963, e em Março desse ano se casa com Erik Calrsson, e se muda para SAAB no ano seguinte, após uma tentativa falha da Ford em contratar Carlsson. Na Ford consegue um sexto lugar no Acropolis Rally (Grécia), e parece que sua mudança de equipe deu resultado. Na SAAB marca um terceiro no Acropolis Rally, quarto no Liège-Roma-Liège e no RAC, e quinto em Monte Carlo. Novamente fica em segundo lugar no final do campeonato europeu, a poucos pontos de Tom Trana, da Volvo.
Em 1968, nova mudança, dessa vez vai para a Lancia, onde reclama do forte subesterço do Fulvia HF, conseguiu um segundo lugar no Rallye Sanremo (Itália), perdendo para Pauli Toivonen (pai de Henri Toivonen), uma vitória no Sestriere Rally (Itália), um oitavo lugar na Grécia (Acropolis Rally) e um sétimo na França (Tour de Corse). No ano seguinte, ela termina em sexto em Monte Carlo, e no final do ano, dá a luz a Suzy Carlsson, essa segue uma bem-sucedida carreira na eqüitação. E apartir daí, passa a diminuir suas participações nos ralis, embora seu marido tenha se aposentado em 1967 após a SAAB se retirar dos ralis. Sua despedida foi um décimo lugar em Monte Carlo, com um Renault-Alpine A110 em 1972. Mas terminava oficialmente em 1974.

Grandes Pilotos: Henri “Henka” Toivonen

Henri Toivonen (1956-1986), foi um grande piloto do WRC, nascido em Jyväskylä, cidade sede da etapa finlandesa do WRC, filho de Pauli Toivonen, campeão europeu de rally em 1968, começou cedo nas competições, aprendeu a dirigir com 5 anos de idade!!! E seguiu por um tempo no kart e foi galgando o caminho das pistas, ganhou um etapa da Fórmula Vê escandinava e da Super Vê, em 1977 foi campeão da Fórmula Vê finlandesa.
Seu antigo kart foi comprado pelos pais de Mika Häkkinen, então com 6 anos de idade. Mas seus pais temiam pela segurança nas pistas na época e Henri Toivonen seguiu para os ralis no ano seguinte, embora tinha a experiência de ter corrido o 1000 Lakes (atual Finland Rally) duas vezes, em 1975 com um SIMCA Rallye 2 privado, e em 1977 com um Chrysler Avenger. Na primeira etapa, o Artic Rally, Henri termina em segundo, a 3:41 minutos atrás de Ari Vatanen, e mais de sete minutos à frente de Markku Alén, e uma vitória no Nordic Rally, o resto do ano e o ano seguinte, foi utilizando diversos carros, privados e alguns oficiais, além de participar de dois eventos do WRC, o 1000 Lakes e o RAC (Inglaterra).

Em 1980, fecha com a Talbot para ser piloto oficial por dois anos (1980-81), onde se tornou o piloto mais jovem a ganhar um rally do WRC (RAC Rally de 1980) com 24 anos, feito só superado por Jari-Matti Latvala em 2008 no rally da Suécia com 22 anos.
Mesmo com um staff pequeno (15 pessoas em tempo integral), e um carro não competitivo, os Gr.2 e Gr.4 não faziam muita frente aos novos Gr.B, Toiovonen conseguia ser competitivo, e de quebra, ganhou o Audi Sport International Rally, etapa final do British Open Rally Championship.

Em 1982 ele vai pra Opel, onde se junta a Walter Röhrl, Ari Vatanen, e Jimmy McRae (pai de Colin). Mas não se acerta com o Ascona 400, e consegue dois pódiuns em 5 etapas do WRC, e participa de uma etapa do Britânico de F3 terminando em 10º.
No ano seguinte, com um novo carro, o Manta 400, que continua não acompanhando seus similares Audi Quattro, e Lancia 037. Um fato curioso aconteceu na prova francesa do Europeu de rally, o Mille Pistes, Henri Toivonen vinha liderando com folga, mas os organizadores resolvem desclassificar os carros Gr.B durante o evento, e Henri e seu navegador Ian Gindrod, recebem um troféu de consolação. Mesmo com a falta de potência dos Opel, Henri consegue pontuar no mundial, e participa de duas estapas do Mundial de Esporte-Protótipos, com um Porsche 956.

Em 1984, segue correndo pela Porsche (Prodrive) no ERC e algumas etapas do WRC pela Lancia, sua última equipe.
Em 1985, sofre um acidente sério na abertura do WRC, quebrando três vértebras do pescoço, e só retornando em casa, sua despedida do 037, que já não fazia mais frente para os Audi e os novos Peugeot 205 t16. No RAC Rally, estréia do novo Lancia Delta S4, dobradinha com Alén em segundo a apenas 56 seg!!!!!!

Em 1986, começa ganhando o rally de Monte Carlo, 20 anos após seu pai. e era favorito ao título, mas as tragédia aconteceu no segundo dia do Tour de Corse (França), Toivonen bastante gripado, decide correr, e no 18º estágio, perde o controle do carro, e cai numa ravina, morrendo instantaneamente junto com Sergio Cresto, seu navegador, na explosão. Isso causou o banimento do Gr.B e um ano após a morte de Attilio Bettega, também com um lancia número 4, e também no Tour de Corse.

Vídeo Tributo:

Grandes Pilotos: Carlos “El Matador” Sainz


Hoje, falaremos um pouco sobre Carlos Sainz

Nascido em Madrid, começou a correr em ralis em 1980 quando trancou a Faculdade de Direito, para se dedicar às competições, em 1987 estreou no WRC pela Ford, com um Ford Sierra RS500 Gr.A, no Rally de Portugal, mas em 1990 foi para TTE (Toyota Team Europe) onde além de se sagrar campeão do campeonato Ásia-Pacífico, faturou o WRC mostrando o quão competitivo o Toyota Celica GT-Four ST165 era, e dois anos mais tarde se tornaria bicampeão no seu ano de despedida da Toyota, e se transferindo para a Jolly Club (equipe satélite da Lancia) em 1993.

O que se mostrou um passo errado, pois por questões contratuais (o patrocinador de Sainz era concorrente do patrocinador principal da equipe) e com o fim do interesse da Lancia no WRC, Sainz se vê à procura de uma nova equipe.

E em 1994 se junta com a emergente Subaru onde como companheiro de Colin McRae dão o título mundial de contrutores para marca.
Em 1996 volta pra Ford onde ficou por dois anos correndo com os Escort RS e WRC respectivamente e em 1997 ganha o Race Of Champions.
Em 1998 retorna para a Toyota, onde auxilia no desenvolvimento do Corolla WRC, e por infelicidade, perde o tricampeonato a 500 metros do final do último estágio na última etapa do WRC, em 1999 a TTE se retira dos ralis, e Sainz volta pra Ford, onde volta a fazer dupla com McRae.

Após um razoavelmente longo período na Ford sendo três vezes 3º no mundial, ele novamente se muda, desta vez para Citroën em 2003 e no ano seguinte se retira do WRC.

Em 2005 ele faz um teste com uma Renault, e susbtituiu François Duval que havia se acidentado.

No ano seguinte se muda para os ralis Cross-Country com a Volkswagen. E como apaixonado por futebol, nesse mesmo ano, concorreu para vice-presidente do Real Madrid, time pelo qual havia treinado. Em 2007 se sagra campeão mundial de Cross-Country, e esse ano ganha o Central Europe Rally , prova “substituta” do Dakar que foi cancelado por ameaças terroristas.

Toyota Celica GT-Four ST185 Carlos Sainz. Segundo boatos, Carlos Sainz vai assistir aos jogos do Real Madrid com o modelo que recebeu da Toyota

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