O maravilhoso mundo dos caças

Atenção: para melhor apreciação desse artigo, leia ouvindo Aces High (Iron Maiden), Mighty Wings (Cheap Trick), Me 262 (Blue Öyster Cult), 1100 (Ariya) ou qualquer música sobre combates aéreos. A leitura frequente da mesma os levará a uma vontade insana de jogar inúmeros simuladores de combate aéreos…

Tudo começou nos mil novecentos e antigamente…quando algum doente mental teve a idéia de botar turbinas a jato em aviões. A ideia deu certo, e com isso os chucrutes criaram o Messerschmitt Me262 “Schwalbe”, que apesar de ter capacidade de manobra semelhante a de um Top Fuel deu trabalho em alguns dogfights…mas os Spitfires e Mustangs eram mais ágeis. Nesse tempo, os bebedores de chá desenvolveram o Gloster Meteor para interceptar as bombas V1. Mas mal haviam começado a desenvolver caças a jato, a paz estourou em 1945…e os pássaros de guerra ficaram fazendo serviço de patrulha em seus países.



Caças de Primeira Geração (1945-1953)
Ao final da guerra a aviação deu um salto gigante, inclusive as aeronaves militares…os motores radiais a pistão foram aposentados e trocados por turbinas.
Aí veio a guerra da Coréia (sim, um assunto acaba puxando o outro mesmo ) e a coisa ficou mais trüe com aerodinâmica mais refinada com direito a asas enflechadas (MiG-15 e F-86 ) turbinas incorporadas ao corpo da aeronave (todos os q vieram depois do Me262 e Gloster Meteor). No conflito, inevitavelmente ocorreu o primeiro dogfight totalmente a jato, entre os MiG-15 e os F86 Sabre na área que foi batizada de Beco dos MiG…daí a coisa desandou de vez…

Caças da época

Messerschmitt Me 262

Gloster Meteor

Mikoyan-Gurievitch MiG-15

Republic F-84F Thunderstreak

North American F-86 Sabre

Caças de Segunda Geração (1953-1960)
Mas o que tinha de diferente entre esses caças e os anteriores? Tudo! a galera de engenharia estava muito inspirada nessa época, e surgiram asas de enflechamento variável, asas delta, as tomadas de ar dos motores foram gradualmente movidas do nariz para a lateral do cockpit, e agora possuiam afterburner (não o disco do ZZ Top, mas sistema de pós-combustão pra dar um gás numa fuga ou quando precisasse andar rápido) e alcançavam a velocidade do som.

Aí como todo mundo tinha uma biribinha atômica, aí os caças passaram a ser divididos como Interceptadores (os caças tradicionais) e os caça-bombardeiro (os que podiam levar bombas nucleares) e com a chegada dos últimos, os bombardeiros de verdade passaram a ficar guardados e só saírem do hangar quando desse A merda. Isso mudou muita coisa em como se combater…aquela coisa romântica de eras anteriores de combate leal etc…virou tudo coisa de viadinho…agora se o camarada aparece no teu radar tu solta uns mísseis guiados ou sensíveis a calor e pronto!

Alguns interceptadores dessa época

Mikoyan-Gurievitch MiG-21

English Electric/British Aircraft Corporation Lightning

SAAB 35 Draken

Lockheed F104 Starfighter ou Widowmaker segundo os poucos pilotos que sobreviveram a ele

Alguns caças-bombardeiros dessa época
Republic F105 Thunderchief

Sukhoi Su-7

FIAT G.91

Depois que descobriram que os caças a jato eram mais legais que os a pistão, aí veio a década de 60, mais uma porrada de conflitos…e a galera de engenharia começou a soltar a imaginação…

Caças de Terceira Geração (1960-1970)
A galera viu o que era bom, e descobriu que podia ficar melhor…começaram a mexer com conceitos refinados de aerodinâmica, como uso de canards, fuselagem com menos arrasto transônico…etc. E agora o bagulho ficou doido, começaram a incorporar aviônica analógica nos aviões no lugar dos controles e medidores antigos (uma curiosidade, os rednecks foram ispertos e se gabavam de ter caças com eletrônica transistorizada, e faziam pouco dos MiG que eram valvulados…mas caso um ataque nuclear acontecesse…os yankees iam ficar no chão e ainda haveria MiGs pelo céu )
Pilotar um caça a jato já não era a mesma coisa de um caça a pistão, vendo isso, os americanos criaram a escola TOPGUN (sim, a mesma do filme)…aí a coisa ficou mais séria

Os interceptadores e bombardeiros ganharam mais um amiguinho…o caça multi função!!! A McDonell Douglas surpreende com os F4 Phantom, um interceptador que tinha capacidade de carga maior que um B-24!!!!!!!!!!um!!1111!!!1onze!!!!!111!!!11!!!

Aviões cráááássicos dessa época

Interceptadores
SAAB 37 Viggen

Dassault Mirage III

Mikoyan-Gurievitch MiG-23

Tupolev Tu-128

Bombardeiros
Northrop F5 Freedom Fighter

Sukhoi Su-17

Multi-função
IAI Kfir (basicamente um Dassault Mirage melhorado )

McDonell Douglas F-4 Phantom

Caças de Quarta Geração (1970-1990)
Aqui estão todos os aviões que sempre babamos vendo Iron Eagle, Top Gun e filmes do tipo. Os caças de quarta geração eram uma revolução comparados aos 3G. Aviônica elaborada graças ao conceito fly-by-wire e sensores espalhados em volta do avião. Outra diferença é a manobrabilidade, agora esses ogros voadores bailam graciosamente como bailarinas…bailarinas armadas até os dentes!! E não é só isso!!! os caças 4G começaram a vir com empuxo vetorial (V/STOL – Decolagem curta ou vertical), supercruise (capacidade de voo supersônico sem usar afterburner) além de tecnologia stealth.
No final da década de 1990, surgiram os caças 4.5 G, um meio termo entre os caças de quarta e os futuros caças de quinta geração. além da evolução natural das tecnologias dos caças 4G, vinham com radar AESA (Antena com Escaneamento Eletrônico Ativo) e melhorias significativas na tecnologia stealth. Nisso, os famosos dogfights passaram a ser história. Viu um inimigo no radar, lança um ar-ar na direção dele, e pronto!
Um grupo padrão dessa época tinha: um esquadrão de superioridade aérea; um esquadrão de ataque e um esquadrão multifunção.

Superioridade aérea
Grumman F-14 “Tomcat”

Sukhoi Su-30

Ataque
Dassault Rafale

McDonnell Douglas F/A-18 “Hornet”

Multi-função
HAL Tejas

Sukhoi Su-27

Caças de Quinta Geração (2005-????)
A geração atual pode ser resumida em uma palavra: stealth. Caças desenvolvidos com formas especiais para diminuir ao máximo a assinatura de radar e com materiais compostos na fuselagem para minimizar ao máximo a possibilidade de ser detectado…ou seja, são praticamente tubarões, se você os vê, é porque eles já o viu faz tempo. Radares AESA multifunção; Empuxo vetorial mais elaborado, ampliando a capacidade de manobra a níveis extremos graças ao novo formato aerodinâmico; Motores mais potentes por conta do supercruise, já que o afterburner aumenta a assinatura de radar. Os caças 5G são caros pra ter e mais caros pra manter então só entram em campo quando a coisa fica MUITO séria.

Só o Lockheed Martin F-22 “Raptor” e o Sukhoi Su-47 “Berkut” representam essa geração, um caça de superioridade aérea stealth e um de demonstração de tecnologia.

Lockheed Martin F-22 “Raptor”

Sukhoi Su-47 “Berkut”

Messerschmitt Me-262 “Schwalbe”

O Me-262 foi o divisor de águas na aviação militar, entrando em serviço logo no final da Segunda Guerra Mundial, foi um dos primeiros caças a jato a entrarem em operação. Embora fosse capaz de alcançar velocidades de até 900 km/h tinha uma péssima manobrabilidade.


Foi desenvolvido logo no início da Segunda Guerra Mundial pelos alemães, fazendo parte das Wunderwaffen, as super armas que estavam sendo desenvolvidas pelo III Reich. Mas só entrou em operação em 1944, sendo usado para atacar bombardeiros aliados, especialmente B-17 e Halifax. Mas embora tivesse capacidade de alcançar velocidades maiores do que os caças à pistão, o Me-262 sofria para fazer curvas. A maioria dos modelos abatidos em combate foram derrubados em três situações: Decolagem; Aproximação de pouso; Fazendo manobras laterais. Mesmo assim, foi elogiado até pelos aliados por seu desempenho e armamento.

O Me262 foi concebido para ser um caça de ataque ao solo e bombardeiro tendo na primeira configuração 4 canhões MK108 30mm, e 2 canhões na segunda, além de duas bombas de 250kg. Ambas as versões A-1aSchwalbe e A-2a Sturmvogel podiam carregar 24 foguetes R4M (12 em cada asa). O modelo entrou em operação na fase final da guerra, mas serviu para mostrar qual o rumo a aviação militar iria tomar: motores turbojato e asas enflechadas. Durou pouco tempo em combate, e teve pouco mais de 1.400 unidades produzidas (boa parte variantes e protótipos).




Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o Messerschmitt Me-262 passou a ser produzido na então Tchecoslováquia, como Avia S-92, sendo utilizado até 1957. Nesse mesmo período, aconteceu o primeiro combate entre caças a jato, na Guerra da Coréia em 1950.


Volkswagen Typ 87 “Kommandeurwagen”

A versão 4×4 do Volkswagen Sedan veio no final dos anos 30, como desenvolvimento dos modelos militares, sendo destinados somente a alguns oficiais alemães, recebendo a alcunha de Kommandeurwagen.

 

Sendo fabricado até 1945, quando a fábrica foi destruída pelos bombardeios aliados. Foi bastante utilizado pelo exército alemão na África, e após a retirada em 1943, sendo transferido para o teatro europeu. O modelo 87 era excelente em terrenos acidentados, era valente e acompanhava veículos maiores com relativa facilidade, em terrenos montanhosos, lamacentos e na neve. É um modelo raro, foram produzidas aproximadamente 670 unidades apenas, devido aos bombardeios aliados. Seguia o conceito de simplicidade dos Volkswagens militares, era basicamente era um chassi do Typ 86 (Kübelwagen 4×4) com uma carroceria do Kdf-Wagen com paralamas mais altos e largos por causa dos pneus off-road e portamalas com estepe, ferramentas básicas e pá.

LuAZ 967/969

Enquanto do lado de cá desenvolviam um veículo anfíbio padrão que pudesse ser construído por todos os países da OTAN, do lado de lá, a União Soviética estabeleceu dois modelos-padrão e criou uma fábrica para seu carro militar. A LuAZ, Fábrica de Automóveis de Lutsk, foi estabelecida na cidade de Lutsk, Ucrânia.

 

E, seu produto principal na época era um modelo 4×4, capaz de evacuar feridos, carregar munições e armas leves, e perto dele, o Europa Jeep era um primor do design…hehehehe. O 969 era um modelo interessante, por ter rodas pequenas para um veículo desse tipo, ele acabava tendo uma altura livre de 28 cm, o que fazia com que ele tivesse desempenho em terrenos acidentados muito melhor que os jipes hi-end da época. Serviu ao Pacto de Varsóvia desde seu lançamento em 1967 até o fim da guerra fria. A versão anfíbia, o LuAZ 967, foi desenvolvido pela AZLK Moskvitch em 1959, e ficou ativa entre 1961 até 1975. Mas só serviu no Exército Soviético.

Caproni Campini N.1

Embora desconhecido, o Campini N.1 tem um papel importante na história da aviação militar. Foi um dos primeiros aviões a voar com motor de reação (vulgo a jato). Era considerado o pioneiro até a descoberta do Heinkel He 178 alemão, que voou primeiro em 1939, enquanto que o caça italiano fez seu primeiro voo em 1940.

 

Tudo começou em 1931, quando o engenheiro italiano Secondo Campini viu o futuro nos motores a jato, chegando a entrar em contato com a Regia Aeronautica para falar de suas ideias. Chegou a fundar a V.E.N.A.R. – Velivoli E Natanti A Reazzione (Veículos e Embarcações à Reação). Em conjunto com a Costruzione Mecchaniche Riva criaram um barco experimental para demonstrar o poder dos motores a jato, alcançando 28 nós de velocidade durante testes no trajeto Milão-Veneza.

Em 1934, a Regia Aeronautica fecha um contrato com Campini para a construção de um modelo para demonstração. O pacote incluía dois protótipos funcionais e um habitáculo para testes, para tal, a V.E.N.A.R. se associou à Societá Aeroplani Caproni, deixando a cargo dela a produção dos aviões.



O avião era movido por um motor Isotta-Fraschini L121/R.C. 40 a pistão de 900 HP que acionava um compressor para comprimir o ar que chegava na câmara de combustão e era misturado com o combustível e resultava numa capacidade de empuxo de 700Kg!!! Campini batizou o sistema de thermojet. Embora se mostrasse promissor, o projeto quase foi encerrado por conta de custos. Mas o avião foi terminado e seu primeiro voo foi em 1940. No ano seguinte houve o primeiro voo oficial com o avião saindo de Milão e indo à Roma com velocidade de 217 km/h sem uso de afterburner para economizar combustível. A repercussão desse voo foi tamanha, que o próprio Mussolini parabenizou o piloto e anunciou o feito no rádio. Vários países enviaram mensagens de congratulações pelo feito para a Itália.

A Federação Aeronáutica Internacional registrou esse voo como o primeiro voo de uma aeronave a jato. Embora mais tarde fosse revelado ao mundo o voo do até então secreto He 178 em 1939

 

Embora não fosse tão revolucionário quanto os caças alemães, esses sim movidos com turbinas. O Caprini N.1  marcou um ponto importante no desenvolvimento da aviação.

Fontes: deadlybirds, Jets45

Vídeo da época sobre o avião

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Fokker Dr.I Dreidecker

O Fokker Dr.I é talvez o avião de caça mais famoso do mundo. Feito em 1917 para combater os Sopwith Triplane ingleses pela supremacia aérea na Primeira Guerra Mundial. Mas acabou famoso nas mãos de Manfred von Richtofen, o Barão Vermelho.

 

Na época, a Fokker fez o V.4, um protótipo inacabado e convertido pra triplano. Mas devido a problemas estruturais, o V.4 não foi para testes, dando origem ao V.5, com maior envergadura, e ailerons e elevadores melhor balanceados. Esse sim, testado, aprovado e com ordem de produção imediata. Renomeado para F.I, os triplanos tiveram uma pré produção de 2 unidades, já nas configurações finais praticamente. Os F.I eram melhores que os triplanos ingleses, inclusive com apoio de Richtofen, que sugeriu que os esquadrões fossem equipados com esses aviões o mais rápido possível. Logo, após pequenas revisões, surge a versão definitiva. O Fokker Dr.I! Mas nem tudo era uma maravilha, embora fosse um avião com boa manobrabilidade, era lento em a, com cockpit mal projetado e com péssima visibilidade em pousos e decolagem. Isso levou a Fokker a fazer um recall dos modelos já existentes e melhorar os em linha de produção, além da inspeção de qualidade ser mais rígida.

Mas mesmo assim, o Dr.I possuía problemas nas asas…suas asas superiores tinham um coeficiente de arrasto levemente maior que as asas inferiores. Mas em altas velocidades essa diferença chegava a ser mais de 2.5 vezes maior. Graças a isso, o Dr.I não foi produzido em larga escala, e logo foi substituído pelos Fokker D.VII.

Os triplanos mesmo com falhas graves eram os favoritos dos pilotos alemães da época. Ao final da Primeira Guerra, até os aliados ficaram impressionados com a manobrabilidade dos Dr.I. Franz Hemer, Vizefeldwebel da Jasta 6 disse, “O triplano foi o meu avião de combate preferido porque tinha todas as qualidades de voo que um avião pode ter.”

Antonov An-225 “Mriya”

O que você faz quando já fez um dos maiores aviões cargueiros do mundo? Faz um maior!!!! No final da década de 1970, a NASA criou o programa dos ônibus espaciais, e pra carregar seu Space Shuttle a tiracolo, usava um Boeing 747-100 adaptado, o Shuttle Carrier Aircraft. Mas em 1984, os russkies começaram a bolar algo do tipo para seu ônibus espacial.

 

 

Encomendaram à Antonov um cargueiro que desse pra carregar tanto o ônibus espacial e seu foguete…e quatro anos mais tarde fez seu voo inaugural. Em 1989, foi demonstrado para o mundo no Show Aéreo de Paris junto com o Buran.

Era dócil e suave de pilotar, mas ignorante no tamanho e capacidade de carga: Envergadura de quase 90 metros; 84 metros de comprimento; 18 metros de altura; e capacidade de carga de 250 toneladas!!!!! Para ficar claro o quão gigante ele é, ele carregava o Buran em suportes no dorso do avião e o foguete Energia no interior do compartimento de carga, INTEIRO!!!!!

Com o fim da Guerra Fria, o An-225 ficou encostado num canto…até ser restaurado e posto em serviço novamente em 2001, agora como cargueiro de grande capacidade pela Antonov Airlines, companhia aérea criada pela Antonov para transporte de cargas pesadas como locomotivas, equipamentos de extração de petróleo, aviões, etc.

Fez uma breve aparição no filme 2012, embora a versão criada em computador do Mriya utilizada no filme fosse bem menor que o modelo real